quinta-feira, 3 de julho de 2008

O futebol

Hoje o Rio amanheceu de luto. O sol foi engolido pelas nuvens como o grito pelo tricolor. A esperança desvaneceu. Nesses dias de espectativa pré-decisão fui indagada:

- Desde quando você assiste a jogo?

- Eu não sabia que você gostava de futebol.

A questão é mais complexa do que simplesmente gostar ou não gostar. Venho de duas gerações conseguintes de mulheres graduadas em Educação Física pela UFRJ. Minha vó, já na década de 30 corria nas quadras. Quando pequena, eu não faltava à uma aula de suadouro na escola – e olha que tinha que madrugar pra comparecer. Treinei por anos no time de handbol da escola. No segundo grau também joguei no de futebol de salão. Fiz diversos gols. Posso ser considerada uma espectadora minimamente iniciada. Mas torcer por futebol no Brasil é uma história que vai mais longe.

Tenho pavor do fanático por futebol tanto quanto do religioso. Há casos de perda total de racionalidade e bom senso. Lembro de um maluco – louco mesmo! – que parecia ter uma única certeza na vida: o amor pelo Fluminense. Como segurar um desses na noite de ontem?

Outra coisa que não me apetece é essa farofa de time de bairro. Um do lado do outro se odiando por causa de uma coisa idiota. É tudo carioca, folgado igualzinho. Se é bom enquanto dura, não tem que ser ruim depois. Que mania de estragar a brincadeira no final!

Tem mais. Devo confessar aqui que faço parte do grupo mais desprezado pelos torcedores de futebol: eu sou vira-casaca. Sou como um ateu para o muçulmano, ainda pior que um judeu. Eu sou a escória da raça. A inocência infantil fez com que me convencessem não só que eu deveria ter um time, como de que este só poderia ser o Flamengo. O mesmo cara que treinou o Flu pra final da Libertadores me seduziu há muitos anos atrás. Sai fora, urubu. Se existe livre-arbítrio, eu quero é gol de barriga.

O desfecho da partida de ontem no Maracanã foi trágico. Eu só não me conformo com o carioca que fica feliz com isso. Que prazer sádico! É por isso que eu gosto mesmo é de jogo do Brasil, todo mundo no mesmo balaio! Mas o Rio se sentiu traído. E nada me tira da cabeça que esse tempo nublado é uma vingancinha da cidade. Hermanos, fiquem com o título, mas hoje vocês não vão comemorar na minha praia!

2 comentários:

Fábio François Fonseca disse...

pois é, Leila, eu sou Flamengo e nunca me conformei com o gol de barriga. mas ontem eu torcia pelo Fluminense, sério mesmo. por uma porque era Brasil na Libertadores e cansado de ver o Flamengo ser eliminado em condições odiosas pelos hermanos que se ajudam uns aos outros nas arbitragens da conmenbol, sempre torço pelo time brasileiro que chega até as últimas consequências. desta feita, calhou ser o Fluminense, que é aquele adversário zebra do flamengo e, aparentemente, eu devia era secar. mas pela outra, bem a tempo, minha mãe é Fluminense e um tio meu transviado e falecido que eu gostava muito também, então não tive como não me empolgar. e realmente foi um jogo bonito de se ver. o final, destas fatalidades absurdas que só esta coisa idiota por decisão por pênaltys deixa ocorrer, foi lamentável, mas honrado. perdeu mas com dignidade, mais bonito do que o meu time, que foi desclassificado por descaso e irresponsabilidade. acho que nesta vida o que conta nem é tanto os sucessos, mas ter dado o seu melhor quando perdeu, pois afinal de contas, todo mundo há de perder um dia. de resto, te digo o que disse pra minha mãe, que ficou tão tristinha, a pobre, todo ano vai ter libertadores pra quem tiver raça para jogar, enquanto este mundo não se acaba. e o fluminense, como o flamengo de outrora, mostrou que tem. =)e ouve este "mood indigo", do duke ellington, que me inspira agora o ouvido, que você vai entender um pouco mais da beleza disto tudo.

Anônimo disse...

leiloucaaaaaa a nação puquiana te procura, criatura! entre em contato!

bjos
:D